ALTERAÇÕES LABORATORIAIS NA COVID-19: DIAGNÓSTICO E MONITORAMENTO

Por Alessandro França - abril 02, 2020


Embora seja observado a relevância do teste molecular na identificação do SARS-CoV-2, pois é considerado o padrão-ouro para o diagnóstico da COVID-19, é importante ressaltar que há outras contribuições integrando o raciocínio diagnóstico.

Além da RT-PCR (Reação em Cadeia de Polimerase em Transcriptase Reversa) e dos testes sorológicos, é válido destacar, em especial, os testes laboratoriais e as alterações observadas em pacientes com a COVID-19. 

Estudos recentes relatam alterações significativas dos parâmetros avaliados em suas pesquisas, indicando que esses podem auxiliar no acompanhamento do quadro patológico da COVID-19.

Lippi e Plebani (2020), observaram alterações hematológicas, hemostáticas e bioquímicas mais recorrentes em 11 estudos realizados por outros autores. 

Dentre os parâmetros mencionados as alterações mais frequentes são:
- Linfocitopenia
- Leucocitose
- Neutrofilia
- Plaquetopenia (ou trombocitopenia)
- Prolongamento do TP (tempo de protrombina), 
- Aumento do LDH (lactato desidrogenase)
- Aumento do VHS (velocidade de hemossedimentação)
- Aumento do PCR (proteína C reativa)
- Aumento do D-dímero
- Diminuição da albumina

Alguns parâmetros foram descritos como estado de prognóstico grave da doença:
- Aumento da contagem de glóbulos brancos (leucocitose) - 1,5 vezes maior
- Aumento da contagem de neutrófilos (neutrofilia) - 1,7 vezes maior
- Diminuição da contagem de linfócitos (linfocitopenia) - 0,9 vezes menor
- Diminuição da albumina - 2,8 vezes menor
- Aumento da lactato desidrogenase (LDH) -  2,1 vezes maior
- Aumento da alanina aminotransferase (ALT) - 1,5 vezes maior
- Aumento do aspartato aminotransferase (AST) - 1,8 vezes maior
- Aumento da bilirrubina total - 1,2 vezes maior
- Aumento da creatinina - 1,1 vezes maior
- Aumento da troponina cardíaca - 2,2 vezes maior
- Aumento do D-dímero - 2,5 vezes maior
- Prolongamento do tempo de protrombina (TP) 1,14 vezes o tempo
- Aumento da procalcitonina - 2,0 vezes maior
- Aumento da proteína C reativa (PCR) - 1,7 vezes mior

Quanto ao significado clínico ou biológico
A linfocitopenia frequentemente encontrada indica que pode estar relacionada a resposta imunológica ao vírus. 

A trombocitopenia e D-dímero aumentado está relacionada ao aumento de consumo do plaquetas em situações de coagulação intravascular disseminada. 

A leucocitose com neutrofilia está associada com infecção bacteriana concomitante.

Aumento dos níveis de LDH, AST e ALT pode significar lesões pulmonares e hepáticas respectivamente ou falência de órgãos. 

A diminuição da albumina sérica sugere comprometimento hepático.

Outras alterações laboratoriais observadas, especialmente nos pacientes com a doença grave, foram concentrações aumentadas de interleucinas (IL6 e IL10). A IL6 tem sido apontada como um marcador de mau prognóstico, juntamente com o D-dímero.

É relevante o fato de o volume celular de monócitos (MDW) expressar um aumento significativo em pacientes que apresentavam piores condições clínicas, pois é tido como parâmetro inovador. No entanto, o acesso a esse parâmetro é limitado a poucos equipamentos hematológicos. 

De acordo com Han et al. (2020), ao observarem alterações ligadas a hemostasia em 94 pessoas com COVID-19, eles perceberam que o aumento do D-dímero e o prolongamento do (TP), por exemplo, podem estabelecer melhores estratégias terapêuticas nesses indivíduos, visto que esses parâmetros indicam uma complicação ainda maior para o quadro do paciente. 

Salienta-se que o agravamento da COVID-19 pode estar ligado a diminuição de linfócitos e plaquetas e o aumento de leucócitos, em especial os neutrófilos.

Portanto é importante destacar a importância dos testes laboratoriais no quadro diagnóstico do paciente com a COVID-19, já que sua contribuição é essencial para o diagnóstico e monitoramento da doença.

Ressalta-se que esses resultados apresentados fazem parte de estudos recém publicados sobre alterações laboratoriais em pacientes com COVID-19, os valores podem variar a depender do tipo de estudo realizado bem como fatores sociodemográficos. Estudos futuros são necessários para revigorar a veracidade e consistência dos resultados.



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Referência/fonte
Lippi, G., & Plebani, M. (2020). The critical role of laboratory medicine during coronavirus disease 2019 (COVID-19) and other viral outbreaks, Clinical Chemistry and Laboratory Medicine (CCLM) (published online ahead of print), 20200240. doi: https://doi.org/10.1515/cclm-2020-0240

Han, H., Yang, L., Liu, R., Liu, F., Wu, K., Li, J., Liu, X., & Zhu, C. (2020). Prominent changes in blood coagulation of patients with SARS-CoV-2 infection, Clinical Chemistry and Laboratory Medicine (CCLM) (published online ahead of print), 20200188. doi: https://doi.org/10.1515/cclm-2020-0188

Lippi, G., & Plebani, M. (2020). Laboratory abnormalities in patients with COVID-2019 infection, Clinical Chemistry and Laboratory Medicine (CCLM) (published online ahead of print), 20200198. doi: https://doi.org/10.1515/cclm-2020-0198

Guan WJ, Ni ZY, Hu Y, Liang WH, Ou CQ, He JX, et al. (2020). Clinical characteristics of coronavirus disease 2019 in China. N Engl J Med. https://doi.org/10.1056/NEJMoa2002032

Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC). Alterações laboratoriais em pacientes com COVID-19. (2020). http://www.sbac.org.br/blog/2020/03/26/alteracoes-laboratoriais-em-pacientes-com-covid19/.

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