DIAGNÓSTICO POR IMAGEM EM PACIENTES COM COVID-19

Por Jhonata Rodrigues - abril 01, 2020


O SARS-CoV-2 recém identificado é o agente etiológico doença COVID-19, chamada popularmente de Coronavírus. Segundo o Ministério da Saúde do Brasil, os sinais e sintomas mais comuns da COVID-19 são: febre, tosse seca, dor de garganta e dificuldade para respirar. Em alguns pacientes, a COVID-19 pode levar à insuficiência renal e pneumonia, que são casos considerados mais graves.

Em quadros mais avançados da doença, os médicos podem solicitar exames de imagem como a Tomografia Computadoriza (TC) para avaliar com mais precisão o quadro evolutivo da doença. Em hospitais de pequeno porte ou regiões que não dispõem de recursos mais tecnológicos, pode ser solicitado a Radiografia Simples do tórax (Raio X).

A depender do método diagnóstico empregado, os achados nos pacientes com COVID-19 podem ser dissemelhantes. 

Na radiografia simples de tórax, podem ser encontradas opacidades de espaço aéreo multifocais de modo similar a outras infecções por coronavírus. Vale ressaltar que os achados podem ser tardios se comparado a TC de alta resolução.

A TC de alta resolução pode apresentar anormalidades como opacidades com atenuação em vidro-fosco periféricas, focais ou multifocais, e bilaterais em 50-75% dos casos. Com a progressão da doença, entre 9 e 13 dias, há o aparecimento de lesões com padrão de pavimentação em mosaico e consolidações. O desaparecimento das lesões é lento com duração de 1 mês ou mais. 

Os achados são provenientes de alterações fisiopatológicas no trato respiratório que podem ser pela presença de muco ou até mesmo por derrame pleural - devido à inflamação que acarreta o acúmulo de secreções e exceções dentro da cavidade pleural. Essas alterações são geralmente encontradas em pacientes com diagnóstico de pneumonia.

De acordo com o Chate e colaboradores (2020), o exame de imagem isoladamente não pode diagnosticar e muito menos descartar a COVID-19, porém contribuiu junto a demais exames determinar como se encontra o quadro clínico do paciente, auxiliando o médico definir como o tratamento será realizado. 

O exame específico para diagnóstico confirmatório da COVID-19 é o RT-PCR que detecta o RNA do vírus em amostras do trato respiratório.

Diversos estudos foram publicados referentes aos achados em exames de imagem em pacientes com COVID-19. Abaixo, são apresentados algumas imagens de Tomografia Computadorizada (TC)  e  Radiografia simples do Tórax (Raio X) em pacientes com diagnóstico confirmado de COVID 19 através do método de RT-PCR.

Tomografia Computadorizada em paciente com COVID-19
Figura 1: Tomografia Computadorizada em paciente com COVID-19
(Shi et al. 2020)

Na figura 1,  paciente do sexo masculino, 60 anos, TC de tórax em plano axial, 8 dias após o início dos sintomas. Notam-se extensas opacidades em vidro fosco em ambos os pulmões, envolvendo quase todos os lobos inferiores e a maioria dos lobos superiores e do lobo médio direito, dando uma aparência branca aos pulmões, com broncogramas aéreos, que é comum em pneumonias. Os broncogramas são os espaços alveolares que ficam preenchidos com secreção formando áreas densas brancas. O paciente foi a óbito 4 dias após o exame.

Figura 2: Radiografia de tórax (B e C) e tomografia computadorizada (A e D) em paciente com COVID-19.
Figura 2: Radiografia de tórax (B e C) e tomografia computadorizada (A e D) em paciente com COVID-19.
(Zhang et al. 2020)

Figura 2, paciente do sexo feminino, 67 anos, início de tosse e escarro em 1º de janeiro de 2020 e progressivamente desenvolvimento de dispneia (falta de ar). Em A temos a primeira tomografia computadoriza feita em 9 de janeiro com bastante opacidade ocasionada pelo excesso de muco. Em B e C temos o Raio X de tórax mostrando a diminuição do muco; também há presença de artefatos que são os eletrodos colocados na paciente para o monitoramento não invasivo durante a internação. Em D temos a última tomografia realizada pela paciente em 22 de janeiro mostrando a diminuição da presença de muco, porém apresentando áreas de fibrose pulmonar. A paciente teve melhora dos sintomas e recebeu alta.

Figura 3: Tomografia Computadorizada (A, B e C) e Raidiografia do tórax (D, E e F) em paciente com COVID-19.
Figura 3: Tomografia Computadorizada (A, B e C) e Raidiografia do tórax (D, E e F) em paciente com COVID-19.
(Zhang et al. 2020)

Figura 3, paciente do sexo masculino, 36 anos, não fumante. Febre e tosse em 6 de janeiro de 2020. As imagens A, B e C foram feitas 3 dias após o aparecimento dos sintomas mostrando diversos pontos de opacidades. A imagem D foi feita em 12 de janeiro de 2020 e mostra o aspecto “pulmão branco” devido a alta opacidade. A imagem E foi feita em 13 de janeiro de 2020 após a ventilação mecânica, nota-se a diminuição da opacidade. A imagem F realizada em 20 de janeiro 2020 revela uma grande opacidade e lesão pulmonar, os médicos sugeriram derrame pleural. Nas imagens D e E, há presença de artefatos que são os eletrodos. O paciente foi a óbito em 21 de janeiro de 2020.

Figura 4: Tomografia computadorizada em paciente com COVID-19.
Figura 4: Tomografia computadorizada em paciente com COVID-19.
(Shi et al. 2020)

Na figura 4,  paciente do sexo masculino, 77 anos. Imagem A, cinco dias após o início dos sintomas: opacidades irregulares em vidro fosco que afetam o pulmão. Imagem B, quinze dias após, opacidades em vidro fosco subpleural em forma de crescente em ambos os pulmões, bem como opacidades reticulares posteriores e consolidações em forma de crescente subpleural. Imagem C, 20 dias após, há expansão das lesões pulmonares bilaterais, com aumento e consolidações pulmonares mais densas e derrames pleurais bilaterais (setas). O paciente foi a óbito 10 dias após o exame final.

Percebe-se que o diagnóstico por imagem auxilia na identificação das complicações ocasionadas pela pneumonia causada pelo SARS-CoV-2. É importante destacar que muitas dessas complicações ocorrem em pneumonias causadas por outros vírus, bactérias e até mesmo por fungos, quando o paciente possui seu sistema imunológico comprometido. O que chama a atenção na COVID -19 é a velocidade em que o quadro patológico se instala no paciente além da facilidade de transmissão de pessoa para pessoa.


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Referência/fonte
SHI, Heshui; et al. Radiological findings from 81 patients with COVID-19 pneumonia in Wuhan, China: a descriptive study. The Lancet. ed. 4. vol. 20. p. 425-434. 24 fev. 2020. https://doi.org/10.1016/S1473-3099(20)30086-4
ZHANG, Jin-Jin; et al. Clinical characteristics of 140 patients infected with SARS-CoV-2 in Wuhan, China. European Journal of Allergy and Clinical Immunology. p. 1-12. 18 fev. 2020. https://doi.org/10.1111/all.14238
CHATE, Rodrigo Caruso; et al. Apresentação tomográfica da infecção pulmonar na COVID-19: experiência brasileira inicial. Jornal Brasileiro de Pneumologia. Brasília. ed. 2. vol. 46. p. 1-4. 19 mar. 2020. https://jornaldepneumologia.com.br/detalhe_artigo.asp?id=3339
Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem. Com base na literatura médica disponível, o CBR, por meio de seu Departamento de Radiologia Torácica recomenda. 2020. https://cbr.org.br/wp-content/uploads/2020/03/CBR_Recomenda%C3%A7%C3%B5es-de-uso-de-m%C3%A9todos-de-imagem_16-03-2020.pdf

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