O SISTEMA ABO E O FATOR RH

Por Agenor Gomes Neto - janeiro 18, 2018


O sistema de grupo sanguíneo ABO foi descoberto por Karl Landsteiner no início de século XX (1900), hoje considerado um dos mais importantes sistemas de grupo sanguíneo na medicina laboratorial. Landsteiner misturou soro e hemácias de diferentes pessoas e conseguiu descrever inicialmente 3 fenótipos: A, B e C (este último foi renomeado como O). Alguns anos depois, o pesquisador Decastello descreveu o fenótipo AB. Von Durgern e Hirchfeld em 1910 confirmaram que a herança genética do A e do B acatava as leis de Mendel, sendo a presença de A e B como dominantes.

Genética
São encontrados epítopos (antígenos) do sistema ABO como resíduos terminais na superfície das células e secreções, onde são sintetizados pela glicosiltransferases específicas codificadas no locus ABO, que está localizado no braço longo do cromossomo 9.
Quatro genes foram definidos: A1, A2, B e O. Estes são responsáveis pela produção das enzimas glicosiltransferases A e B, que dão origem aos quatro grupos sanguíneos: A, B, AB e O.

Antígenos e Anticorpos
Observando o sistema ABO, nas hemácias haverá dois tipos de proteínas denominadas a aglutinogênios A e aglutinogênios B, responsável pela determinação do fenótipo. No plasma sanguíneo pode haver aglutininas anti-A e aglutininas anti-B. Deste modo, o indivíduo do grupo AB possui aglutinogênios A e aglutinogênios B, não possuindo aglutininas anti-A e aglutininas anti-B. Indivíduo do grupo A, possui aglutinogênios A e aglutininas anti-B. O indivíduo do grupo B, possui aglutinogênios B e aglutininas anti-A. Já o O indivíduo do grupo O não possuem aglutinogênios, havendo apenas aglutininas anti-A e aglutininas anti-B.
Os antígenos A e B apresentam subgrupos que se caracterizam por mutações genéticas na quantidade forma de expressão nas hemácias. Estes subgrupos podem apresentar baixa intensidade de reação com os reagente de pesquisa, anti-A, anti-B e anti-AB, o que pode levar a discrepâncias na análise.
Alguns Subgrupos:
- A1, A2, A3
- B3, Bx, Bm, Bel (raros)
Na medicina transfusional, em geral, não é importante distinguir os subgrupos de A e de B. A transfusão de subgrupos geralmente não leva a reação transfusional.
Anticorpos:
- AntiA: ocorre naturalmente no soro de todos os indivíduos do Grupo B.
- AntiB: ocorre naturalmente no soro de todos os indivíduos do Grupo A.
- AntiA e B: ocorre naturalmente no soro de todos os indivíduos do Grupo O.
- AntiA1: pode ocorrer naturalmente nos indivíduos A2, quase sempre é uma aglutinina fria, tipo IgM. Geralmente não está associada a reação hemolítica transfusional ou doença hemolítica perinatal
Fenótipo
Aglutinogênio/antígeno
Aglutininas/anticorpo
A
A
Anti-B
B
A
Anti-A
AB
AB
-
O
-
Anti-A e Anti-B

A fenotipagem sanguínea baseia-se na determinação da presença ou ausência de antígenos eritrocitários na membrana da hemácia, ou através da pesquisa de anticorpos.
Conhecer a frequência fenotípica dos diversos grupos sanguíneos é importante para estimar a disponibilidade de sangue compatível a pacientes que apresentam anticorpos anti-eritrocitários.
O antígeno RhD pode apresentar um extenso polimosrfismo, se expressando fracamente (D fraco), ou como um antígeno modificado (D parcial). Por isso causa dificuldades na classificação RhD, sendo somente detectados com o uso de reagentes potencializadores (anti-imunoglobulina humana ou enzimas).
Os anticorpos anti-D não são naturais. Estes somente são produzidos a partir de uma interação ou um estímulo imunológico durante a gestação de um feto RhD positivo, ou a parir de transfusão de um componente RhD positivo. Estes são de natureza IgG ativos a 37ºC. Como IgG é um anticorpo transplacentário, acabam acarretando a doença hemolítica do recém-nascido, havendo destruição das hemácias no meio extravascular.
Para a pesquisa do fator RhD, é essencial os anticorpos monoclonais, que reconhecem especificamente o antígeno.

O sistema Rh
Esse é o maior e o mais complexo sistema de grupos sanguíneos que compreende atualmente a mais de 50 antígenos eritrocitários, e o 2º mais importante depois do sistema ABO.
Levine e Stetson  descobriram o sistema por meio de um caso de Doença Hemolítica Perinatal. Uma mulher com anemia hemolítica, necessitou ser transfundida com o sangue ABO compatível de seu marido. Na mesma década, Levine e Wiener observou aglutinação após adicionar soro de coelhos e do macaco Rhesus a hemácias de humanos.

Os antígenos desse sistema são exclusivamente encontrados na membrana das hemácias, que são produzidos a partir da codificação por um par de genes homólogos RHD e RHCE, produzindo assim antígeno RhD. A pesquisa desse antígeno é obrigatória para rotinas pré-transfusionais e em doadores de sangue.




Referências/fonte
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Hospitalar e de Urgência. Imunohematologia laboratorial. Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Hospitalar e de Urgência. – Brasília: Ministério da Saúde, 2014.
BATISSOCO, A. C.; NOVARETTI, M. C. Z. Aspectos moleculares do Sistema Sanguíneo ABO. Rev. bras. hematologia.e hemoterapia. v. 25, n. 1, p.  47-58, 2003. 

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