CANDIDÍASE VULVOVAGINAL

Por Agenor Gomes Neto - março 01, 2017


A Candidíase é uma doença infecciosa (micose), oportunista primária ou secundária, endógena ou exógena causada pelo gênero Candida. O gênero Candida, da família Cryptococcaceae, é um tipo de fungo leveduriforme, constituído de cerca de 200 espécies diferentes. Este gênero habita normalmente diversos lugares do corpo, como a pele, cavidade bucal, orofaringe, secreções brônquicas, vagina, uretra e o trato gastrointestinal sem causar infecções, porém em alguns casos podem causar. A espécie Candida albicans, é o patógeno mais comumente isolado em infecções do trato genital, quando se trata de infecções por fungos. Por participar da microbiota normal do homem, ele é considerado um patógeno oportunista. 

Candida albicans é um fungo dimórfico, que significa, apresentar-se sob formas diferentes, como a forma leveduriforme (blastoconídios), e em formas filamentosas (pseudo-hifas e hifas verdadeiras). Pode ainda apresentar-se na forma de esporos adaptativos (clamidósporos), estes vivem em locais inóspitos, se adaptando  nessas condições.

A INFECÇÃO
A Candidíase Vulvovaginal é uma infecção da vulva e vagina, que pode ser causada por diversas espécies de Candida. Esta infecção é diagnóstico frequente na população feminina. apresentando sintomas ou não. A C. albicans representa de 80-90% dos casos. Em estudos recentes também observaram a infecção por C. glabrata, C. tropicalis, e C. guillermondi. este fungo cresce bem em locais úmidos e quentes. 

FISIOPATOLOGIA
Os lactobacillus produtores de peróxido (bacilos de Dorderlein) estão intensamente presentes na microbiota normal feminina, estes formam ácido lático a partir do glicogênio, e sua produção e secreção é dependente de estímulos pelos estrogênios. O mecanismo tem como função a regulação do pH ácido adequado (4,5) neste ambiente, assim, dificultando a proliferação de patógenos na mucosa. Quando esse mecanismo é alterado, o pH é desregulado e dessa forma o patógeno, principalmente os oportunistas prolifera e causa dano aos tecidos.

TRANSMISSÃO E FATORES DE RISCO
Apesar de participarem da microbiota normal, elas podem ser passadas por transmissão endógena, ou seja, de um sítio para outro no mesmo organismo (p. ex. do trato gastrointestinal para a vagina, onde em ótimas condições se proliferam), ou por transmissão exógena tem como exemplo o contato sexual.
A imunossupressão do paciente diminui a imunidade aumentando o risco de infecção por patógenos oportunistas. A utilização inadequada de antibióticos altera a microbiota normal, principalmente os lactobacillus, modificando o pH vaginal. A realização de ducha vaginal também é um fator predisponente, pois ela também altera a microbiota. Roupas justas e uso de absorventes ajudam na umidificação e aquecimento do local propiciando a proliferação do oportunista.  

SINTOMATOLOGIA
Clinicamente a candidíase pode ser cutânea, mucosa, cutaneomucosa ou visceral. Na infecção vulvovaginal corre prurido vulvar intenso, ardor, leucorréia, dispareunia, disúria, edema e eritrema vulvovaginal, enfatizando o prurido, que é o sintoma mais importante. 

CRITÉRIOS PARA O DIAGNÓSTICO
O diagnóstico baseia-se principalmente nos sintomas apresentados. No laboratório, a microscopia direta é um método que contribui para o fechamento do diagnóstico. É possível observar grumos de células epiteliais, piócitos, hemácias, decorrente do processo inflamatório e a visualização de elementos fúngicos como hifas e esporos. 
A cultura é indicada para casos em que há resistência no tratamento, que no caso é raro. 




Referencias/fonte
HOLANDA, A. A. R et al. Candidíase vulvovaginal: sintomatologia, fatores de risco e colonização anal concomitante. Rev Bras Ginecol Obstet. v. 29, n. 1, p. 3-9,2007.
ÁLVARES, C. A; SVIDZINSKI, T. I. E; CONSOLARO, M. E.L. Candidíase vulvovaginal: fatores predisponentes do hospedeiro e virulência das leveduras. J Bras Patol Med Lab. v. 43, n. 5, p. 319-327, outubro, 2007.
IMAGEM DA CAPA/microbeworld

  • Compartilhe:

VEJA TAMBÉM

1 comentários