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A TEORIA DA FRENOLOGIA


Até meados do século XVIII o conceito sobre as funções cerebrais era baseado nas ideias desenvolvidas pelo filósofo romano Galeno. Os estudos realizados por Galeno foram aceitos pela igreja católica e difundidos pela Europa. Galeno propôs a doutrina ventricular, ou seja, o cérebro exercia apenas uma função mental, e, esta era realizada pelos ventrículos cerebrais. Ele considerava os ventrículos regiões ‘’puras’’, e, a existência de três ventrículos representavam a santíssima Trindade. Sendo, portanto, uma região nobre para receber o espírito. Segundo Galeno, a massa encefálica era suja e não podia ser responsável pelas faculdades mentais. Dessa maneira, a ideia proposta em 1796 pelo médico austríaco Franz Joseph Gall revolucionou o conhecimento da neurociência.

A frenologia (de phrenos= mente e logos= estudo) foi a primeira teoria relevante que explica o localizacionismo cerebral. Desenvolvida por Gall, representou um grande marco em toda a história da neurociência. Apesar, de o seu estudo ter grande importância na neurociência, Gall foi acusado na época de charlatanismo e pseudociência, pois não havia evidências científicas para comprovar as suas hipóteses. Na obra "A anatomia e Fisiologia do Sistema Nervoso em Geral e do Cérebro em Particular", Gall propõe as doutrinas que compõem a teoria da frenologia. 

Primeiro, Gall postula que as faculdades intelectuais e morais dos seres humanos são inatas, e, a sua manifestação depende da organização cerebral. Segundo, é proposto em seu trabalho que o cérebro está constituído de subestruturas ou ‘’sub órgãos’’ que são responsáveis por atividades mentais específicas como comportamento, pensamento e emoções. De acordo com Gall, quanto mais complexo for a atividade desenvolvida pela subestrutura cerebral maior é o seu desenvolvimento anatômico. Portanto, o médico austríaco acreditava que o cérebro apresentava 27 faculdades mentais. 

Terceiro, Gall propôs que a forma do crânio é reflexo do desenvolvimento cerebral, ou seja, o desenvolvimento das faculdades mentais provoca uma mudança na caixa craniana, e, por meio da análise da estrutura era possível compreender melhor as faculdades mentais mais desenvolvidas e estudar a personalidade do indivíduo.

Gall propôs a sua teoria através de estudos realizados em cadáveres humanos e de animais, bem como, a análise da estrutura craniana in vivo. Entretanto, a comunidade científica reuniu um comitê que declarou que a teoria da frenologia não era confiável, pois não havia evidências científicas que pudessem corroborar com a proposta realizada pelo médico Joseph Gall. 

Cientistas tentaram provar que Gall estava errado. Dessa forma, muitos realizavam experiências em animais retirando partes dos cérebros e avaliando as funções mentais que ficariam comprometidas. Assim, surgiu a neurociência experimental.

Através da história podemos compreender melhor os ensinamentos e a contribuição de Franz Joseph Gall para a história e o desenvolvimento da Neurociência.




Referências/fonte
Escrito especialmente por Tâmara Nunes
SABATINI, R.M.E. Frenologia: A História da Localização Cerebral
LENT, ROBERT. Cem bilhões de Neurônios? Conceitos fundamentais de neurociência. 2002.
Créditos das imagens: Capa/cbalaw.org - Ilustrativa/cerebromente

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